se cuide saudade


Sabes quantas foram as vezes que me disseram que estava enganada a teu respeito? Sabes? Sabes quantas foram as vezes que eu murmurei o teu nome, à noite, quando o que mais queria era sentir-me envolvida nos teus braços? E as vezes que me disseste que querias fazer-me feliz, ainda te lembras? Ainda te lembras das promessas, da ternura das nossas conversas e do conforto que transmitias nas palavras e no tom com que falavas? Talvez tenha sido esse o meu maior problema, ter acredito em meras palavras, que nunca demonstradas, enchiam-me a alma. Palavras ocas, fingidas e meramente destrutivas. Hoje vivo na solidão da tua presença. Iludida em mentiras. Longe do mundo. Mundo esse que me matou aos poucos. Espero que tudo volte ao normal rapidamente. Sinto saudades tuas meu amor. Sentir esta nostalgia me corrói e destrui aos poucos. Sentir a falta é a prova de que mataram o sentimento e tu ainda não percebes-te.

Diário de um coração.


Óh como eu gostava de ser como tu, querida rapariga. És sem dúvida uma miúda forte, nunca ponhas isso em questão. És tão, mas tão diferente de mim. Hoje … bem hoje sinto-me tão apertadinho. Sinto a alma, a minha alma, a alma de um coração destruído, mais longe da realidade. Vejo as coisas duma perspectiva tão diferente da tua. Tiraram-te de mim, derrubaram-me, mataram-me. Agora vives com um novo espírito dentro de ti, vives uma nova vida, num mundo aparte. Vives sem mim e sabes? Estás a lidar bem com isso e fico muito feliz por sabê-lo. Segues o que a tua alma diz, porque ela é mais certa. Mais genuína. Mais pura. Óh como eu gostava de ser como tu, querida rapariga.

Faz hoje precisamente seis meses desde a tua tão inesperada partida. Digo-vos, não há nada pior do que a ausência da pessoa que um dia nos roubou o coração. Nos deu os melhores e mais inesquecíveis momentos, silenciosamente guardados no órgão que é o maior responsável pela circulação do sangue. Essa dor, a dor da perda, é um dos piores sentimentos, tal como a saudade. Destroem-nos por dentro. Transformam-nos em seres duvidosos. Duvidosos das nossas próprias capacidades em ultrapassar qualquer tipo de problema. Junta-se o medo, a revolta e a falta de paciência. Prolongam-se as noites mal dormidas. A vida vira-se num jogo de sobrevivência emocional.
Hoje de manhã, como sempre, fui buscar as cartas à caixa do correio. Entre umas da EDP, da Vodafone, vinha uma tua, anexada às cartas habituais. Foi um choque. Fiquei dez minutos a olhar para ela. Perdi a conta ao número de vezes que reli o nome do destinário. Quando bati a porta e sentei-me no cadeirão, aquele castanho claro que condizia na perfeição com os meus cabelos. Foste tu que quiseste assim e agradou-me imenso a ideia, muito sinceramente, meu querido. Abri o envelope e comecei a ler.
«Querida Joana,
Desde já quero pedir-te desculpa por tudo o que aconteceu. Algo que ainda não tive a oportunidade de fazer. Nunca quis que isto teve-se este desfecho. Não foi justo; a vida não é de modo algum justa. Parti em busca de uma vida que não era a minha. Ambicionei demais e perdi tudo. Incluindo tu que eras e continuas a ser a mulher da minha vida. Espero que algum dia me perdoes e espero também, um dia voltar.
Com um grande beijo de saudade,
João.»
Os meus olhos encheram-se de lágrimas, Dei por mim a relembrar tudo ao teu lado.
- Se por um segundo soubesses como é amar-te, como é desejar o teu colo, o teu abraço. Saberias que me esqueço de todas as mágoas neste momento. – Suspirei em voz alta, como se ouvisses, estivesses onde estivesses. – Eu amo-te João.
(texto fictício)