Faz hoje precisamente seis meses desde a tua tão inesperada partida. Digo-vos, não há nada pior do que a ausência da pessoa que um dia nos roubou o coração. Nos deu os melhores e mais inesquecíveis momentos, silenciosamente guardados no órgão que é o maior responsável pela circulação do sangue. Essa dor, a dor da perda, é um dos piores sentimentos, tal como a saudade. Destroem-nos por dentro. Transformam-nos em seres duvidosos. Duvidosos das nossas próprias capacidades em ultrapassar qualquer tipo de problema. Junta-se o medo, a revolta e a falta de paciência. Prolongam-se as noites mal dormidas. A vida vira-se num jogo de sobrevivência emocional.
Hoje de manhã, como sempre, fui buscar as cartas à caixa do correio. Entre umas da EDP, da Vodafone, vinha uma tua, anexada às cartas habituais. Foi um choque. Fiquei dez minutos a olhar para ela. Perdi a conta ao número de vezes que reli o nome do destinário. Quando bati a porta e sentei-me no cadeirão, aquele castanho claro que condizia na perfeição com os meus cabelos. Foste tu que quiseste assim e agradou-me imenso a ideia, muito sinceramente, meu querido. Abri o envelope e comecei a ler.
«Querida Joana,
Desde já quero pedir-te desculpa por tudo o que aconteceu. Algo que ainda não tive a oportunidade de fazer. Nunca quis que isto teve-se este desfecho. Não foi justo; a vida não é de modo algum justa. Parti em busca de uma vida que não era a minha. Ambicionei demais e perdi tudo. Incluindo tu que eras e continuas a ser a mulher da minha vida. Espero que algum dia me perdoes e espero também, um dia voltar.
Com um grande beijo de saudade,
João.»
Os meus olhos encheram-se de lágrimas, Dei por mim a relembrar tudo ao teu lado.
- Se por um segundo soubesses como é amar-te, como é desejar o teu colo, o teu abraço. Saberias que me esqueço de todas as mágoas neste momento. – Suspirei em voz alta, como se ouvisses, estivesses onde estivesses. – Eu amo-te João.
(texto fictício)

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